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Às vésperas da decisão, Corumbaense tem sede penhorada por ação trabalhista com Júnior Tevez

Na semana mais importante, esportivamente, dos últimos 30 anos, o Corumbaense passa por momentos delicados juridicamente por um caso ocorrido há quatro anos. A sede social do clube foi penhorada pela Justiça do Trabalho por conta do não pagamento de indenização ao ex-atacante Júnior Tevez, lesionado em 2013, quando defendia o Carijó.

Reprodução/TV Morena
Júnior Tevez teve a carreira precocemente encerrada em março de 2013, quando tinha 28 anos, ao comemorar o gol da virada sobre o Sete de Dourados no estádio Arthur Marinho. Na tentativa de ir festejar junto à torcida, acabou rompendo o tendão patelar, que liga o músculo da coxa adutora à tíbia, e determinou a invalidez do atleta para qualquer tipo de trabalho.

“Muito acusam que eu fui comemorar o gol no alambrado, mas eu fui com a torcida. Foi um gol da virada, em um momento que precisávamos da vitória por virmos de quatro empates e antes de eu chegar no alambrado havia um buraco pouco depois da linha lateral, onde me machuquei”, conta o ex-jogador, que avalia que foi ali o início da negligência da diretoria do Carijó, que pôs fim a sua carreira. “Demorei 15 dias para fazer a ressonância magnética e 30 dias para operar – graças ao então prefeito Paulo Duarte, que doou minha cirurgia – o que arrebentou com meu joelho foi essa demora”, afirma.

De acordo com Tevez, que hoje vive na cidade de Santo Amaro, na região metropolitana de Salvador/BA, houve uma tentativa de negociar com o clube uma indenização pelo custo com o tratamento da lesão, no entanto, sem chegar a um acordo, resolveu buscar os direitos na Justiça do Trabalho. “Quando procurei a Justiça Trabalhista e entrei com a ação foi porque tive que pagar uma cirurgia e o tratamento do meu bolso”, explica.

Hoje o valor da causa está avaliada, segundo o ex-atleta, em mais de R$ 500 mil, equivalente a 50 salários mínimos acumulados desde 2013. Sem o valor em caixa, o Corumbaense teve a sede social penhorada, porém já recorreu por entender que o local está orçado bem abaixo da realidade. A Justiça estipulou um valor para leilão de aproximadamente R$ 1,8 milhão, no entanto, a diretoria do Carijó entende que o valor mínimo da sede é de R$ 6 milhões.

“Gostaríamos que tivesse um bom senso de ambas as partes, por isso pedimos a reavaliação do imóvel, que foi extremamente baixo. Ainda achamos que vale mais, mas pelo menos não ficou aquele valor irrisório que haviam avaliado”, disse o presidente do Corumbaense, Luiz Bosco Delgado.

O dirigente acredita que o valor pedido por Júnior Tevez é muito além da realidade do que o clube pode pagar, por isso, pretende ir até a cidade onde o ex-jogador mora atualmente e propor uma negociação do valor.

“É um valor indecoroso já que ele se machucou sozinho. Queremos conversar com ele, se for o caso ir à cidade dele e propor algo que caiba dentro do orçamento. É ilusório o cara achar que vai tirar R$ 400 mil de um time que está em uma situação difícil, como várias equipes no Brasil. Ele tem, com razão, direito de reclamar por aquilo que não recebeu e o Corumbaense também, pois considera um valor absurdo dentro da realidade brasileira”, conclui.

O ex-jogador, no entanto, não acredita que essa aproximação irá acontecer. “Eles sempre falam que estão tentando negociar e que vão vir aqui na Bahia, mas o que eles querem é dar um quarto do valor da divida e isso não é viável. Minha carreira foi interrompida com 28 anos, sou declaradamente inválido por causa da negligência do Corumbaense. Minha perspectiva de vida se baseia nessa dívida”, conta o jogador.

Devido à lesão, Tevez afirma ter ficado com uma sequelas crônicas, que o impede de praticar qualquer atividade física. O jogador admite sentir mágoa do clube. “Tudo o que vem acontecendo nos últimos quatro anos foi por pura negligência do Corumbaense. Fui largado como um cachorro sarnento. Por isso que eu não abro mão dos meus direitos. Falar do Corumbaense é algo que me machuca muito. A cada jogo do time fico mesclado entre sofrimento, dor e ansiedade por tudo que aconteceu na minha vida”.

O caso está agora nas mãos da Justiça do Trabalho do Estado da Bahia, que analisa uma reavaliação do imóvel pertencente ao Corumbaense – que perdeu até a matrícula da sede. Após o parecer, caso não seja considerada a negociação, a sede do clube irá a leilão.

FONTE: Capital News

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