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Novo é campeão do Estadual Sub-15, mas título fica manchado pela bizarra desorganização dos bastidores

A foto, registrada por Corrales, e que causou toda a discórdia
Por Nyelder Rodrigues *

Após perder o jogo de ida por 3 a 1 para o Grêmio Santo Antônio, o Novo bateu o adversário por 2 a 0 na final do Estadual Sub-15 e conquistou o título máximo da categoria em Mato Grosso do Sul. Muita festa para os garotos, que merecem muito o reconhecimento pelo futebol jogado.

O Novo é um clube conhecido por seu bom trabalho de base, que ainda patina na formação de talentos para o elenco profissional, mas tem excelente cunho social, apesar da falta de apoio da iniciativa privada e do Poder Público de Campo Grande. 

Ainda assim, nada justifica os problemas, que passam também pela gestão, vistos nessa decisão de Sub-15. E aqui vai apenas um resumo e opinião sobre o ocorrido, sem entrar em clichês já batidos e revirados como o amadorismo de dirigentes e demais profissionais da bola.

No primeiro duelo, ainda por motivos a serem esclarecidos publicamente pela direção, a equipe não contou com o treinador à beira do campo. Quem "assumiu o posto" à beira do campo foi o Giovane Alencar, então presidente da torcida organizada Piratas do Novo.

Isso mesmo, um torcedor com a camisa de jogo, boné e bermuda jeans permaneceu na área técnica. Seja qual for o período de permanência dele ali, fica claro que, no mínimo, houve uma grave falha. A situação, obviamente, foi flagrada pelo repórter fotográfico Nelson Corrales.

Já no Facebook, a imagem criou polêmica, inclusive com vazamento de áudio de conversa pelo WhatsApp onde o presidente do Novo, Américo Ferreira, tentando justificar o injustificável, diz que a imagem foi registrada pelo fotógrafo "para se aparecer".

Bizarramente, foi permitido que um torcedor permanecesse na área técnica figurando como comandante do time. Diretores do clube estavam no estádio e concordaram com isso. O segundo fato bizarro foi a "culpabilização" de um profissional da imprensa por ter registrado o fato.

E quem teve um pouco mais de curiosidade, pode conferir também na súmula do jogo que o caso não foi retratado pelo árbitro da partida, mas quem assinou como treinador foi Roberson Ferreira de Carvalho, enquanto Alécio Manoel de Farias foi o auxiliar. 

Sim, Alécio Manoel, vice-presidente do Operário - afastado extraoficialmente por divergências - e responsável por conseguir o patrocínio, já encerrado, com a MRV para o Novo. Tanto ele como Roberson não possuem registro algum no CREF.

A "tribizarrice" fez com que as relações estremecessem no Novo. Giovane, que buscava torcedores para o clube, mesmo sofrendo com grande rejeição após o retorno do Operário à ativa, anunciou que estava se afastando da torcida no Facebook. Nesta mesma rede social, há cobranças diretas ao presidente Américo para que leve em consideração os serviços prestados por Giovane.

Fazer futebol em Mato Grosso do Sul não é fácil. Mas não é fácil em lugar nenhum. Recursos são escassos em todo o país, sobrando apenas para poucos. Trabalhar com base então, se torna uma celeuma quando o sistema adotado só joga contra - vide a prefeitura, que ao invés de propor convênio com os clubes, lançou sua própria escolinha com profissionais que poderiam estar nos clubes.

Entretanto, é preciso parar de procurar inimigos externos e reconhecer problemas latentes de nosso futebol, sem caçar bruxas, mas também sem naturalizar tais mazelas - que começam na base e persistem na categoria principal, em todos os clubes do Estado. E um recado para os dirigentes, sem distinção: a vaidade não acrescenta nada em vossas gestões e precisa ser deixada de lado.

* artigo de opinião escrito por Nyelder Rodrigues, editor do MS Esporte Clube e repórter do Campo Grande News

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