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Comerário vira 'destaque negativo' no país após Jefferson Reis espancar gandula

Quarenta e cinco minutos do segundo tempo. Somália, zagueiro comercialino, subiu ao ataque e alçou bola na área operariana. Nenhum alvinegro acompanhou. Rodrigo Arroz, líder da defesa, ainda tentou chegar, mas nem tempo de subir teve. Jô, centro-avante que chegou há uma semana, esse sim subiu e de cabeça colocou no canto direito. Pereira tentou defender, mas não conseguiu.

Jefferson Reis, autor das agressões contra o gandula
O breve relato acima é do gol que deu a vitória para o Comercial, por 1 a 0 e com um jogador a mais - já que o lateral Edy, do Galo, foi expulso ao receber dois cartões amarelos -, em cima do Operário, neste domingo (18) no Morenão. Infelizmente, o resultado foi ofuscado pela violência, irresponsabilidade, covardia, e inúmeros outros adjetivos pejorativos.

Jefferson Reis de Jesus, meia-atacante de 22 anos e passagens por Audax e Sete de Dourados. Em 2018, autor de dois gols em quatro jogos no Estadual e atleta - se é que merece agora ser classificado como tal - do Operário. Substituído no decorrer do segundo tempo, deveria ficar no banco de reservas até o apito final. Não ficou. No fim das contas, foi fichado como autor de lesão corporal dolosa.

Tadeu Francisco Kutter Junior, 19 anos, terceiro goleiro da base colorada e gandula do jogo deste domingo. Um torcedor à beira do campo - como qualquer outro que ali estava, incluindo repórteres e fotógrafos. Aos 45 da etapa final, comemorou exaltadamente o gol de seu time, seguido de gestos contra a torcida. Inegavelmente, errou.

Em seguida, não aceitou a repreensão que veio do banco operariano, já que estava ao lado do mesmo. Foi agredido com um soco pelo massagista. Daí em diante, o até então infrator virou vítima e os até então ofendidos perderam a razão e passaram a ser agressores.

Um absurdo atrás do outro começou. A bola rolava e o banco de reservas inteiro do Operário saiu correndo atrás de Tadeu, que já tinha sido agredido. Parecia que nada mais importava ali, apenas a honra, falsamente defendida. Jefferson Reis não se satisfez com a patética perseguição.

Jefferson Reis, camisa 7 operariano, conseguiu derrubar Tadeu e agredi-lo atrás do gol - o mesmo onde o time foi incapaz de impedir o gol da vitória rival. Jefferson Reis montou sobre Tadeu e iniciou uma sequência de socos típicas de duelos de MMA. As agressões só foram interrompidas com a tardia chegada, mas a primeira, do colega de Reis, o centro-avante Giovâni, que o conteve.

Mas aí a "merda" já estava feita. Não houve confusão generalizada, mas Baré, lateral direito colorado, ainda tentou acertar uma voadora em Jefferson Reis, mas não conseguiu e ainda quase foi atingido com por outros operarianos, incluindo o preparador físico Jean Carlos França.

"Lá fora a gente vê isso e resolve", saiu de campo ameaçando Baré, olhando para Jean, já depois do término da confusão. Baré foi expulso pelo árbitro, Paulo Salmázio, assim como veterano Rodrigo Grahl, que conforme relatos, inclusive em boletim de ocorrência, também agrediu Tadeu e outro gandula - depois do pior momento, ele ajudou a apartar a confusão.

"Destaque" nacional

O momento  em que Jefferson Reis batia em Tadeu foi filmado pela TV Morena, que transmitia o Comerário ao vivo e, assim, também mostrou as cenas lamentáveis. Pior, o fato repercutiu de tal forma que foi parar na capa Globo Esporte nacional e ganhou bom espaço em portais como o UOL, além de ser destacado como Moment da rede social Twitter.

Na tão sonhada mídia nacional que os operarianos queriam voltar a ser destaque, como outrora, o clube apareceu da pior forma possível, colocando em jogo a imagem de uma instituição que luta contra dificuldades financeiras e estruturais.

O que o clube não conseguiu com o "triplete" de Rodrigo Grahl no sábado de Carnaval - aparecer no Fantástico com o pedido de gol do veterano - o time conseguiu neste domingo, ao ser ridicularizado para todo o país. No SporTV, aconteceu o mesmo. Jefferson Reis conseguiu. A opinião pública foi unânime em reprovar a animalidade do ato.

Como é de costume no futebol local, o policiamento só chegou depois que a confusão já tinha terminado. Ao menos, serviram de testemunhas "oficiais". O massagista Raul foi levado para a Depac Piratininga na viatura, apesar dos pedidos de um dos diretores do Galo, que é coronel, para que ele não fosse detido. Já Jefferson foi embora antes e encaminhado por meio particular até a delegacia.

Até o fim da noite deste domingo (18), dirigentes de ambos os lados seguiam na Depac Piratininga, onde o boletim de ocorrência foi registrado. Torcedores do Galo também ficaram no local. Até então, a diretoria operariana não demonstrou que irá tomar nenhuma medida administrativa contra os brigões, mas em entrevistas, tentou diminuir a gravidade da situação.

No YouTube, as imagens são facilmente encontradas, bastando apenas procurar por "gandula espancado". Abaixo, um dos vídeos que foram upados:


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