Ads Top

Opinião: Existe lógica no futebol tupiniquim?

Por Rafael Ribeiro

Reprodução
Sexto lugar na tabela, ameaça de ficar fora pela primeira vez de uma Copa do Mundo, problemas, críticas, descrença da opinião pública...

O cenário de caos deixado por Dunga, mudou como água se fez vinho quando Tite assumiu. A Seleção Brasileira foi uma das primeiras a se classificar ao Mundial da Rússia, o futebol vistoso apareceu e, pasmem, até o então criticado Neymar conseguiu desembarcar na última Copa como um aspirante a melhor do torneio.

Não, não estamos aqui para fazer ponderações sobre a participação brasileira na Rússia. Todos sabemos como terminou. Estamos aqui para falar sim da quebra histórica de uma fórmula apontada pelos especialistas como fundamental para o sucesso: a troca de técnico.

Se a substituição de Dunga por Tite não foi o suficiente para esmagar os prognósticos de uma tragédia quase anunciada, a reta final deste Brasileirão evidencia, de novo, que os clubes devem sim demitir quando se torna insustentável um trabalho de resultados pífios.

Ou algum palmeirenses aqui sente saudades de Roger Machado? Evidente que não. Desde que Luiz Felipe Scolari assumiu o Verdão, o time passou de duras penas candidato a mais um ano de lamentações para candidato, de novo, a bicho papão da temporada, com chances reais e concretas de dois dos mais importantes títulos no País.

Como se justificar? Difícil...

O duro golpe contra a ideia pronta não se deu por satisfeito.

Enquanto o efeito Felipão continuou sendo tratado como um ponto fora da curva, Dorival Júnior chegou ao Flamengo e recolocou os cariocas com chance no Brasileirão. Duas vitórias em dois jogos, seis gols marcados, nenhum sofrido, sendo um clássico e um duelo com o rival Corinthians, o mesmo que o havia eliminado na Copa do Brasil, em pleno Itaquerão.

Não foi o bastante? Cuca, campeão pelo Palmeiras há dois anos, chutado do clube no ano seguinte após um retorno tão risível quanto decadente, ressuscitou o Santos, de início de temporada lamentável.

Vamos aos menores: Adilson Batista tirou o América-MG das lanternas para a disputa de uma vaga em competição continental.

Prestaram atenção aos nomes? Felipão, Cuca, Dorival, Adilson... Mas não eram os novatos com seus cursos caros e estágios na Europa que salvariam o futebol brasileiro?

Não era. Osmar Loss deixou o Corinthians na difícil luta contra o rebaixamento. Barbieri não engatou com o Fla. Thiago sei lá o que é mais novo que seu centroavante no nada empolgante Atlético-MG... E sempre teremos Renato Gaúcho esfregando um Grêmio vibrante e moderno no Sul.

A temporada 2018 do futebol brasileiro nos provou sua única lógica: a falta dela. Vanderlei Luxemburgo disse que todos os técnicos pagam pelo 7 a 1. E custamos a acreditar que ele estava certo. Nenhuma das fórmulas prontas vomitadas durante todo o tempo pelos analistas parece funcionar em um futebol cujo único ponto que parece imperar é o emocional.

Novidades técnicas, revoluções táticas? De que adianta. Nossos jogadores, cada vez mais limitados e mimados, escolhem o tipo de comando a bel prazer. Se um Palmeiras capenga e jogadores começam os questionamentos públicos, basta lhe darem um Felipão. Se Barbieri não é respeitado, com Dorival passam a fazer gols. Mano Menezes ganha o direito de se poupar pra Copa do Brasil e tome finais consecutivas.

A regra é não ter mais regra. E para cada Carille que faz um time alcançar o impossível, lembraremos que existe um veterano Carpeggiani para evitar o rebaixamento de um clube pelo terceiro ano seguido.

Quem pode explicar? Nem Tite. Logo ele, a única unanimidade, que pela dança das cadeiras e gangorra de desilusões permanece intocável no posto máximo das contradições após um, veja só, fiasco.

Rafael Ribeiro, paulistano da Zona Norte, é jornalista desde 2004 e acumula passagens por Gazeta Esportiva, Portal Terra, Diário de São Paulo, Agora São Paulo, Editora Abril, Meia Hora e Diário do Grande ABC antes de desembarcar em terras sul-mato-grossenses. Atualmente defende as cores do Correio do Estado.

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.