Por insulto racista, torcedor é proibido de entrar em estádio por 2 anos e clube multado em R$ 300

Após o julgamento que definiu de maneira unânime a perda de seis pontos do Aquidauanense pela escalação irregular de Alex Farias, a sessão de quarta-feira (20) do TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) também avaliou o caso do torcedor do Azulão que ofendeu racialmente o zagueiro Fabão e o volante Leandro, ambos do Urso. O torcedor ficará proibido de ir ao estádio por dois anos.

Julgamento aconteceu na noite desta quarta-feira
(Foto: MS Esporte Clube/Nyelder Rodrigues)
O duelo aconteceu no dia 23 de janeiro, logo depois do episódio de escalação irregular, também no estádio Noroeste. Consta na súmula da partida que Fabão foi expulso aos 12 minutos de jogo, e ao se dirigir ao vestiário, foi chamado de "macaco filho da puta" por um torcedor.

A situação teria causado revolva nos atletas do Urso. Segundo a imprensa de Mundo Novo, o volante Leandro teria se aproximado e sido xingado também. Contudo, as ofensas a ele não foram relatadas em súmula pelo árbitro da partida.

O caso foi parar na delegacia de Aquidauana, onde Fabão registrou o caso - considerado apenas injúria racial. O boletim de ocorrência não foi anexado aos documentos da partida, pois ele não teria enviado uma cópia à FFMS e o delegado da partida, ao tentar retirar uma na delegacia no dia seguinte, foi informado que apenas a vítima poderia fazer tal retirada.

Identificado ao público apenas como José Nivaldo, o torcedor foi separado do restante da torcida pela PM (Polícia Militar) logo depois de ter proferido os insultos. Ao fim da partida, ele foi liberado. No julgamento de ontem, o fato rendeu multa de R$ 300 ao Aquidauanense e o proibição ao torcedor de entrar em jogos no estádio Noroeste por 720 dias, praticamente dois anos.

Racismo no futebol em MS

Em 2015, o lateral direito Robinho, coincidentemente hoje no Aquidauanense, também foi vítima de insultos racistas em Corumbá. Na época, ele defendia o Naviraiense e foi xingado por um torcedor, que chegou a ser identificado, mas a PM não teria agido corretamente e deixado ele impune, apesar de chamar o jogador de "preto, macaco, preto sujo".

A questão também foi para a Justiça Desportiva, que consideraram inconclusivas as acusações contra o Corumbaense e absolveu o clube, por 3 a 1. No caso, como não houve identificação do atleta, o julgamento foi especificamente contra o clube.

O resultado causou ira no então diretor do Jacaré do Conesul, Soares Filho, que afirmou ter visto toda situação. "Todos apontaram o autor da ofensa e a PM fez vistas grossas", postou, completando que o TJD "passou a mão na cabeça do clube". "Ponto negativo para o futebol do MS", concluiu.

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