Thiago Miracema é expulso outra vez e Operário cai nas quartas diante do Aquidauanense

Para alguns, uma queda precoce. Para outros, uma sucessão de situações que, mais cedo ou mais tarde, culminariam em uma decepcionante derrota. Atual campeão sul-mato-grossense e reforçado para a temporada com R$ 525 mil da cota da Copa do Brasil, o Operário não foi páreo para um conciso e ajustado Aquidauanense que, com  todo mérito, saiu do Morenão classificado.

Thiago Miracema foi destaque negativo do Galo no Estadual
(Foto: Valentim Manieri/Jornal O Estado MS)
A liderança na primeira fase do Estadual 2019 não significou nada para os comandados por Arilson Costa. Já no primeiro duelo das quartas de final, o time foi derrotado por 1 a 0 no estádio Noroeste, em Aquidauana. Na volta, nesta noite de sábado (30), o empate por 1 a 1 não foi suficiente.

Essa é a segunda vez que o Azulão chega a semifinal do Estadual. A primeira aconteceu em 2011, também sob o comando de Mauro Marino. Na ocasião, o time goleou o Comercial nas quartas por 4 a 0, em Aquidauana. Já em Campo Grande, perdeu por 2 a 0.

Além disso, o Aquidauanense mantém um tabu e vantagem de retrospecto nesta década sob o Galo. São nove jogos de 2011 para cá, somando quatro vitórias (todas em Aquidauana), duas derrotas e três empates. Em Campo Grande, o Azulão não sabe o que é perder para alvinegro desde 10 de abril de 2011, quando foi derrotado por 3 a 2 no Morenão.

O jogo

O Galo começou melhor, tentando surpreender os visitantes com um gol relâmpago, pressionando muito. Com o decorrer da partida, a marcação do Aquidauanense foi se ajeitando e o duelo se equilibrando. Ambos tiveram chances. Porém, aos 40 minutos, Thiago Miracema foi expulso de campo, direto, ao deixar o braço no rosto do volante adversário, Peterson.

Peça importante na movimentação ofensiva do Galo, saindo da área para criar espaços para infiltrações dos pontas ou mesmo de meias que avançassem, Miracema também foi "protagonista" na derrota para o Botafogo-PB, por 4 a 1, ao ser expulso pelo mesmo motivo, pouco depois do time conseguir o empate. Assim como nesse sábado, o final foi trágico e de eliminação.

Essa foi a terceira expulsão do atleta pelo Galo, mesmo número de vezes que ele balançou as redes por aqui. A inconsequente atitude do atacante atrapalhou os planos de Arilson na Copa do Brasil e, no Estadual, não foi diferente. Se a presença dele em campo mudaria o resultado final, nunca saberemos, Contudo, certamente foi fator determinante para cravar a derrota como foi.

Segundo tempo surpreendente e mais expulsões

Na etapa final, apesar da vantagem numérica, o Aquidauanense não mudou a postura e viu o Operário pressionar e levou perigo ao seu gol. O time de Marino apenas tentava contra-ataques, sem sucesso. A entrada de Eduardo Arroz no Galo, primeiro como lateral esquerdo e depois mudando para a direita, deu um novo ânimo ao time e fez a torcida acreditar que a vitória era possível.

Torcida compareceu, mas saiu decepcionada do Morenão
(Foto: Anderson Ramos/Capital News)
Só que no futebol, o emocional é tão importante quanto fatores técnicos, táticos e físicos. E o Operário não se mostrou preparado nesse quesito. Insistentemente, a arbitragem passou a ser contestada pelos atletas, com longas discussões e encaradas. O Aquidauanense aproveitou o momento para matar a partida. Para isso, o time colocou Carlos Junior em campo.

O atacante passou a fazer companhia ao improvisado camisa 9 Baiano, dando mais opções de referência na frente e de bola direta para transições rápidas. Aos 38 minutos, deu certo. O Azulão avançou pela direita e a bola sobrou para Baiano na esquerda, sozinho.

Augusto ainda chegou para marcar, mas acabou desviando o chute do camisa 9 visitante e tirando do goleiro Jota, que conseguiu tocar na bola, mas não o suficiente para defender. No lance, curiosamente Eduardo Arroz, ao invés de voltar para a defesa e ajudar os companheiros, preferiu discutir no ataque com o bandeira Eduardo Gonçalves da Cruz, reclamando de falta em lance anterior.

Com 1 a 0 no placar, o Aquidauanense praticamente carimbou a vaga na semifinal e pode relaxar mais. Antes do apito final, Emerson Santos também foi expulso, aos 43 minutos, ao pisar em Cy depois de uma disputa de bola. Outro expulso foi Arilson Costa, que ao contrário de outras partidas, se mostrou bastante nervoso à beira do campo.

Empate e arbitragem 'culpada'

Mesmo com dois jogadores a menos em campo, o Operário não desistiu e deu um último suspiro no Estadual 2019, aos 48 minutos, Eduardo Arroz alçou bola na grande área e Augusto desviou para Centeno, de cabeça empatar a partida. O jogo seguiu por mais dois minutos, ao som do "eu acredito" da torcida operariana, mas não foi o suficiente para a equipe conseguir a improvável virada.

Nas entrevistas pós-jogo, os poucos atletas do Operário que concederam entrevistas foram unânimes em apontar Paulo Salmázio como principal causador da eliminação operariana, opinião corroborada pelo presidente do clube, Estevão Petrallás. No lado do Aquidauanense, apenas se viu muita festa pela classificação - essa é apenas a 2ª vez que chega à semi.

O Aquidauanense volta a campo na próxima quarta-feira (3), quando encara Comercial ou Corumbaense no jogo de ida da semifinal do Estadual. A partida acontecerá em Aquidauana, às 15h ou 16h - como não há iluminação artificial no estádio Noroeste, os jogo terá que ser à tarde. O jogo de volta acontece no sábado (6) ou domingo (7).

Já o Operário terá folga de mais de um mês, até o dia 5 de maio, para repensar a temporada. O cenário mais provável é que vários jogadores sejam dispensados. O treinador Arilson Costa também pode sair. Nas entrevistas pós-jogo, o zagueiro André Paulino afirmou que seguirá no clube.

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