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Cezário abre o jogo, critica Estadual, clubes e 'ergue as mãos ao céu' por apoio do Governo

Alvo de reclamações de torcedores e imprensa, o Campeonato Sul-mato-grossense de Futebol ganhou um novo crítico: Francisco Cezário de Oliveira. Não, você não leu errado. Em um momento de auto-crítica - pero no mucho - o presidente da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) abriu o jogo e mostrou com clareza sua opinião sobre o futebol sul-mato-grossense.

Cezário analisou erros e acertos de gestão, mas culpou clubes
(Foto: MS Esporte Clube/Arquivo)
A entrevista, que não é nova, foi concedida ao programa Pantanal Esportes em 11 de fevereiro deste ano e estava "perdida" nos confins do YouTube, no canal da desafeta TV Pantanal MS - que apesar das desavenças por direitos de transmissão, tratou o presidente com cordialidade.

"Esse campeonato foi o maior erro que nós cometemos", frisa Cezário ao comentar sobre o formato adotado em 2019, completando na sequência. "Não estamos preparados para fazer uma competição como essa. São 80 jogos, e saímos de um campeonato de 54 jogos regionalizados".

Contudo, a declaração não foi um mea culpa, já que o presidente da FFMS destacou que a entidade foi voto vencido na escolha e, então, a culpa seria dos dirigentes de clubes. "Temos que por as mãos para o céu e agradecer sempre a sensibilidade do governador", comenta Cezário, destacando que é o repasse feito pela Fundesporte que banca alimentação, hospedagem e arbitragem.

"Se não é isso, pode ter certeza, não teríamos aí seis equipes participando", conclui. Posteriormente à entrevista, atrasos no repasse geraram problemas no decorrer do Estadual com fornecedores e, inclusive, com a arbitragem. O campeonato continuou no foco de Cezário, que negou desigualdade de tratamento, e revelou que usou "verbas pessoais" para que o campeonato acontecesse.

Risco de abandono e 'presidentes que não leem regulamento'

O risco de abandono de equipes durante a competição foi algo tratado a sério dentro da FFMS, ao menos conforme os relatos do presidente. Ele diz que foi feito um trabalho para que todos jogassem a primeira fase completa, principalmente diante do alerta de um dos vices da entidade, o ex-presidente do Misto, Jamiro Rodrigues, sobre a possibilidade de algum time desistir até a sétima rodada.

Presidente diz que FFMS foi voto vencido durante arbitral que
definiu o formato dos campeonatos de 2019 e 2020
(Foto: MS Esporte Clube/Arquivo)
"É aí que entra a FFMS, pode ter certeza que não vai acontecer. Aí entra o rolo compressor", destacou na época. De fato, nenhum time abandonou a competição, mesmo diante dos protestos e até entrega de pedido de desistência, já com a bola rolando, pelo Operário de Dourados.

Porém, Cezário não parou por aí. Ele voltou a mirar nos presidentes de clubes para justificar as falhas da Federação. "Se as vezes nós erramos, não é culpa da FFMS. Às vezes é um desconhecimento da lei. Nós temos presidente que não lê o regulamento da competição, que nunca discute com sua comissão técnica o planejamento da competição".

O mandatário do futebol do MS ainda usou como exemplo o Novo. Em conversa com o presidente do clube, Américo Ferreira, foi perguntado sobre o planejamento da equipe para o Estadual. Em resposta, Américo afirmou que visava vencer vários jogos. No final das contas, o Novo foi rebaixado à segundona do Sul-mato-grossense, meses após essa entrevista.

"Durmo tranquilo, amanheço tranquilo", disse Cezário, que se declarou operariano, mas frisou que nunca usou em algum momento "uma virgula ou ponto" a favor do clube ou contra outra equipe. "Se um dia eu for fazer um erro desse, peço que Deus não me dê essa chance". Por fim, ele ainda opina que o balanço de sua gestão é que houve erros, mas é de mais acertos.

Legado Fifa, calendário e parceria com prefeitura

Algumas novidades foram destacadas já no fim da entrevista por Francisco Cezário, entre elas uma verba oferecida pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para ajudar a custear competições das categorias de base em Mato Grosso do Sul. O valor não foi especificado, mas a ação seria parte do "Legado Fifa" após a Copa de 2014, que acontece há cinco anos.

Competições de base vão receber 'reforço' financeiro em 2019
(Foto: Noé Faria/Arquivo)
Outra possibilidade deixada "no ar" por Cezário é a de realizar, em parceria com a prefeitura, um campeonato estudantil com garotos entre seis e 14 anos da Reme (Rede Municipal de Ensino). Ele já teria se encontrado e conversado com o prefeito Marquinhos Trad sobre esse torneio, porém, até o momento, nenhuma das partes deu algum sinal de que houve acordo sobre.

Já quando questionado sobre o calendário do futebol sul-mato-grossense, o mandatário-mor do nosso futebol declarou que existe calendário para o ano inteiro, mas o problema é que não há clubes para jogar. Ao seu lado, o presidente do Operário, Estevão Petrallás, concordou com a afirmação.

Na mesma entrevista, o presidente da FFMS revelou que estava sendo preparada uma campanha para conseguir outros parceiros para adequar o Morenão conforme os pedidos do Ministério Público. O Operário, por exemplo, já tinha conseguido o patrocínio para pintar o local. Contudo, dois meses depois, vemos que o projeto nunca saiu do papel.

Vale lembrar também que, nesta terça-feira (30), a FFMS faz a partir das 10h a prestação de contas do último mandato para então, seja realizada a posse do novo mandato de Cezário, até abril de 2023, à frente da Federação. Pela legislação atual, esse deve ser o último mandato. Novos vices, como Petrallás e Américo, também serão empossados.

Programa na íntegra

Logo abaixo, veja na íntegra o programa Pantanal Esportes, onde Francisco Cezário foi entrevistado pelos cronistas Nelson Corrales e Paulo Mansano. O apresentador é Alex Delina. Os trechos relatados acontecem a partir dos 58:05 minutos (o vídeo está pré-programado para começar já nesse trecho). Por problemas de audibilidade na gravação, recomendamos o uso de fones de ouvido.

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