Dívidas, despejos, ações judiciais e endereço 'fantasma': a triste situação do Comercial

A gangorra do futebol campo-grandense colocou Operário e Comercial em situações vexatórias ao longo das duas últimas décadas. Hoje, quem está em baixa é o lobo-guará. Nos anos 2000, o colorado enfrentou um período sem disputar competições profissionais, sob o comando do ex-presidente Ojeda e seu "fiel escudeiro" Laércio. Porém, o time se recuperou e encheu o torcedor de esperança.

Time de 2010 foi o último a conquistar o Estadual diante
de seu torcedor, em Campo Grande (Foto: Arquivo)
Depois de ser vice-campeão contra o Naviraiense na Série B do Estadual em 2008, o troco veio em 2010, na final da Série A. Diante de um estádio Morenão lotado, o Comercial bateu o Jacaré do Conesul e fez a festa ao comemorar seu oitavo caneco de Sul-mato-grossense.

Cinco anos mais parte, um time desacreditou surpreendeu a todos e conquistou o Estadual outra vez. No ano seguinte, nova final, mas dessa vez o time ficou com o vice-campeonato. Desde então, o colorado amarga resultados aquém do esperado, dívidas e problemas que afastam o torcedor.

Em 2017, o ex-patrocinador Valter Mangini [dono da Supritec] assumiu o comando do clube sob a promessa de investir até R$ 5 milhões, conforme relatos de diretores que participaram do encontro. Jogadores e comissão técnica chegaram a ser levados à "peso de ouro", porém não houve êxito no trabalho na época e atrasos salarias foram a tônica no fim da competição.

Na ocasião, o presidente também alugou uma mansão com várias suítes no Jatiuka Park, bairro nobre de Campo Grande. Porém, o clube foi despejado por falta de pagamentos do local e, de acordo com o processo de cobrança aberto pelo dono do local Cupertino Fantolan, a dívida já está em R$ 141,5 mil. Mangini e sua esposa são os fiadores e também são cobrados.

Endereço 'fantasma', penhora de nada e processos trabalhistas

Curiosamente, o oficial de Justiça foi tentar entregar a intimação para o clube no seu antigo endereço, a Vila Olímpica da rua Brilhante, há oito anos demolida e transformada em um supermercado - o espaço foi perdido em leilão judicial para pagamento de dívidas trabalhistas.

Atualmente, o clube não possui endereço oficial para realizar qualquer atividade. A juíza que cuida do caso, Gabriela Muller Junqueira, chegou a pedir a penhora dos bens do clube e dos fiadores, porém, nada foi encontrado no nome da instituição ou dos seus responsáveis.

Processos trabalhistas também assombram o Comercial. Estima-se que, atualmente, há 48 ações ativas fazendo cobranças. Em alguns casos, dívidas pequenas, de meros R$ 1,5 mil, se transformaram em cobranças de R$ 30 mil. Em outros, ex-funcionários cobram mais de R$ 100 mil. É esperado para ocorrer em breve alguma decisão judicial quanto a esses processos.

A gota d'água em 2019: atraso salarial e despejo de hotel

Três meses. Esse é o período do atraso salarial em que Mangini manteve o Comercial no Estadual 2019. O time enfrentou também dificuldades para se alimentar. Extraoficialmente, problemas no setor gráfico (Mangini é dono também de uma gráfica) atrapalharam o repasse de verbas que ajudariam a quitar os salários do colorado. A esperança dos jogadores para receber era chegar à final.

A verba destinada pela CBF como cota da Copa do Brasil iria diretamente para os atletas. Contudo, uma atuação trágica da arbitragem e um Aquidauanense conciso e bem montado atrapalharam os planos colorados, que ainda mantém os jogadores, sem pagamento, em hotel. As informações não são confirmadas pela presidência, que se esquiva.

Hoje, mais uma situação vexatória marcou a história colorada. O time teria sido despejado do Hotel Turis, onde estava hospedado, por falta de pagamento das diárias. Contudo, o presidente Valter Mangini nega que seja um despejo e diz que os jogadores apenas trocaram de local, indo para o Hotel Iguaçu. O vídeo mostrando foi publicado por Edson Garcia no Facebook, mas removido depois.

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