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Sorteio coloca bicampeão no caminho de Calderano e potencial duelo nacional no Mundial de Tênis de Mesa

Com cinco chineses inscritos na chave principal, é obviamente improvável não esbarrar com algum deles ao longo do caminho num Campeonato Mundial, mesmo sendo o número sete do mundo. Mas o sorteio reservou para o brasileiro Hugo Calderano um caminho potencialmente pedregoso no horizonte de médio prazo na Hungria. Calderano ainda não sabe contra quem estreia, já que o adversário virá do qualifying, também repleto de atletas de grande potencial. Ainda assim, o que está desenhado na chave é que, se avançar nas fases eliminatórias de 128 atletas, passar pela de 64 e se classificar na terceira rodada, de 32, o potencial rival será o chinês Ma Long, de 28 anos.

Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br
Ma Long é atualmente o número 11 do mundo, número longe de expressar a realidade. O chinês é o atual bicampeão mundial individual (2015 e 2017). Foi medalhista de ouro na chave de simples dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Liderou o ranking mundial sem interferências por quase dois anos.

Só caiu na listagem da Federação Internacional (ITTF na sigla em inglês) porque deixou um pouco o circuito em 2018 para acompanhar o nascimento do filho. Ma Long retornou em 2019. Disputou dois torneios internacionais. Venceu o Aberto do Catar e terminou com o vice-campeonato na Copa Asiática, batido apenas por seu compatriota Fan Zhendong, atual número 1 do mundo.

Calderano se junta neste sábado (20.04) aos outros sete integrantes da delegação brasileira em Budapeste, na Hungria. Fará o primeiro treino na arena principal do HungExpo nesta noite. O atleta carioca, de 22 anos, vem de trajetória ascendente e consistente no ranking mundial desde 2014, quando foi medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude de Nanquim, na China. Ele chegou às oitavas de final nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Alcançou o Top Ten do mundo em 2018 e lá fincou raízes, com belas atuações em etapas do circuito internacional, finais e pódios. No Grand Finals, no fim do ano, na Coreia, bateu Fan Zhendong, número 1 do mundo e eleito o melhor atleta da temporada 2018.

Para o técnico Francisco Arado, o Paco, o importante é não transformar a capacidade técnica de Calderano em obrigação, em pressão por resultados. "O importante não é o resultado em uma competição específica, a projeção por medalha. Ele tem potencial para isso? Claro que sim, mas o importante é vir para cá e propor o jogo, mostrar o que já vem mostrando. O nível aqui é parelho, difícil, alto", comentou.

"Acho que desde que entrei no Top 10 os adversários começaram a estudar mais o meu jogo e a se preparar para me enfrentar. Com certeza, todo mundo agora quer entrar com mais vontade. Mas acho que isso é muito bom. A concorrência faz parte do esporte, também me ajuda a crescer a subir ainda mais o meu nível", avaliou Calderano, em entrevista à Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM).

Tsuboi também no horizonte

Os outros brasileiros também conheceram seus caminhos com os sorteios realizados em duas etapas pela ITTF, entre sexta-feira e sábado. Número 40 do ranking mundial, Gustavo Tsuboi caiu pertinho de Calderano na chave de simples. Os dois podem se enfrentar na terceira rodada se vencerem seus dois primeiros confrontos. O adversário da estreia de Tsuboi também virá do qualifying. Outro que espera a definição das preliminares é Eric Jouti. O atleta brasileiro caiu no braço da chave de 128 mesatenistas que tem atletas de Hong Kong e o japonês Tomokazu Harimoto, número 4 do mundo, como destaques.

Bruna Takahashi, número 64 do mundo e única brasileira que já parte da chave principal feminina, está no lado da chave que tem, num horizonte bem à frente, a tricampeã mundial Ding Ning. Antes, se vencer o primeiro jogo, Bruna pode encarar a sul-coreana Suh Hyowon, número 11 do mundo.

Primeiros a estrear 

Diferentemente dos que aguardam o quali, os outros quatro brasileiros já conhecem seus oponentes diretos na briga por vaga na chave principal. O experiente Thiago Monteiro, de 37 anos, está no grupo 10, ao lado de Alfredas Udra, da Lituânia (478 do mundo) e de Haitham Al-Mandhari, de Omã (681). Após confronto direto em rodada única, apenas o primeiro de cada chave segue na competição. O primeiro jogo de Thiago será contra Al-Mandhari, a partir das 16h15 de Budapeste neste domingo (11h15 de Brasília-DF).

Vitor Ishiy, por sua vez, encara o Grupo 35, contra Abiodun Lawal, de Congo, número 356 do mundo, e Nathan Xu (1027 da listagem), da Nova Zelândia. O primeiro duelo será neste domingo, a partir das 17h45 (12h45 no Brasil), na mesa 10, diante do neozelandês. O segundo e último confronto no grupo será na segunda-feira, 22.04, contra o atleta africano.

No feminino, Jessica Yamada está no grupo 58, ao lado de Hsing-Yin Liu, de China Taipei, número 183 do mundo, e de Mimoza Tynaeva, do Quirguistão, não listada. A estreia de Jessica será diante de Tynaeva, às 13h45 (8h45 de Brasília-DF), na mesa 26, neste domingo. Lin Gui, por sua vez, foi sorteada no Grupo 11, ao lado de Bolor-Erdene Batmunkh, da Mongólia, e da grega Maria Christoforaki. O primeiro jogo da atleta brasileira será neste domingo, a partir das 17h da Hungria (12h de Brasília-DF), contra a atleta da Grécia.

Forma de disputa

Nas chaves individuais masculina e feminina, os atletas são divididos em dois grupos. Os 64 melhores ranqueados ficam esperando nos primeiros dias o resultado do qualifying, como cabeças de chave. Entre os brasileiros, esse é o caso de Hugo Calderano, Gustavo Tsuboi, Eric Jouti e Bruna Takahashi. Para os demais, a preliminar é disputada em fase de grupos seguida de mata-mata. Daí saem outros 64 atletas que vão integrar a chave principal do torneio, que terá, assim, 128 mesatenistas. A partir daí, todos os confrontos são eliminatórios até a final. Nas duplas, as chaves principais têm 64 parcerias, com 32 cabeças de chave a partir do ranking internacional e outros 32 definidos no qualifying.

Os jogos são disputados em melhor de sete games. O atleta, para vencer, precisa ganhar quatro parciais, cada uma delas de 11 pontos. Pela regra oficial do tênis de mesa, os saques são alternados. Cada atleta executa o serviço duas vezes e passa o direito ao oponente. A única exceção é quando a parcial fica empatada em 10 x 10. Nessas situações, cada atleta executa um saque por vez, até que um dos dois alcance a diferença de dois pontos de vantagem, que encerra o game. Além do título de campeão mundial, o torneio é, ao lado dos Jogos Olímpicos, a competição que mais dá pontos aos seus campeões individuais no ranking da ITTF. São três mil.

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