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Seleção não pode virar bandeira ativista sozinha: o futebol feminino é mais que um time na Copa do Mundo

Vivemos rodeados pelo machismo e combatê-lo, todos os dias, é de extrema importância para que, quem sabe um dia, a desigualdade de gêneros acabe. Será benéfico até para os homens, acredite. Porém, mesmo não sendo mulher e protagonista nesta luta, também tenho o direito de opinar e fazer sugestões que, creio eu, trariam melhorias. E uma delas se refere ao futebol.

Se no naipe masculino a modalidade enfrenta dificuldades e a gestão beira o amadorismo, no feminino os perrengues são piores ainda, mas as meninas são lembradas apenas de dois em dois anos, quando a Seleção Brasileira disputa ou os Jogos Olímpicos ou a Copa do Mundo.

Foto: Assessoria/CBF
Essa é a agenda oficial. E se é oficial, o machismo está incorporado. Mas eis aí que surge meu questionamento: também são nesses momentos que o ativismo aparece para "prestar apoio" ao futebol feminino. Será que isso não é se pautar a partir da agenda machista?

Será que milhares de meninas pelo Brasil, em busca de uma oportunidade, não esperam apoio e incentivo também no seu cotidiano? O ativismo, ao aproveitar momentos de mais impacto para se manifestar, não acaba deixando de lado o mais importante, que é a formação dessas atletas?

Alguns boçais podem usar tais argumentos para tentar deslegitimar o futebol feminino, ou mesmo o ativismo feminista. Não é o caso desse texto. A promoção de qualquer movimento é importantíssimo para que ele cresça e exista. Um comunicador não pode negar tal necessidade. Porém, acredito que é urgente que nasça um movimento dentro do futebol em prol dessas garotas.

A cobrança precisa ser perene, perpétua. E precisa de pessoas que entendam que nada adianta aplicar esforços e recursos na Seleção se a base do esporte, que é a formação de atletas, torneios regionais, nacionais, financiamento de estrutura e até salarial, continuar acontecendo do jeito que está, a situação nunca vai melhorar, definitivamente.

Liberar alunos: sim ou não?

Quanto a atenção dada à Copa do Mundo Feminina, particularmente na questão de liberar ou não os alunos das aulas para ver as partidas, confesso discordar por uma simples questão: essa não é a competição mais importante do naipe feminino -  no caso, são os Jogos Olímpicos. Por ora, defendo a liberação em 2020, caso haja partidas em horário escolar. Aliás, outras modalidades além do futebol mereceriam tal atenção, não acham?

Aos que não entenderam a opinião, vai aqui a explicação: em praticamente todas as modalidades olímpicas, os Jogos são a principal competição e uma medalha de ouro é a glória máxima. Contudo, no futebol masculino, a participação é limitada a atletas com até 23 anos (são permitidos apenas 3 acima dessa idade). No feminino, não há restrição alguma.

Já para os que não entenderam coisa alguma do que disse nessa página, seja por dificuldade de interpretação de texto ou dificuldade deste que vos escreve em transmitir ideias, vai um breve resumo: eu não seria imbecil em deslegitimar movimentos em prol da Seleção feminina. Apenas creio que urge a necessidade de um apoio mais amplo, com nascedouro dentro do próprio futebol. Quem usar de tal texto para deslegitimar alguma coisa, não só boçal será, mas leviano, canalha!

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